domingo, 27 de janeiro de 2008

CARTEIRA QUE PARECE UM BIG MAC



Se existe uma coisa que a esmagadora maioria dos homens tem em comum é andar com a carteira mais cheia que um hambúrguer duplo. Carteira cheia, não necessariamente de dinheiro, aliás, quase nunca tem dinheiro, mas têm dezenove cartões de crédito, dezessete deles já vencidos, certidão de nascimento da mãe, uma foto do filho do primo do compadre do vizinho, além de cartões de visita tão desatualizados, que um deles é de uma firma de conserto de mimeógrafos.
Tem até um bilhetinho “comprar um atari para o Junior (o Junior tem 23 anos, a mulher está esperando um filho e o atari está valendo, hoje, uma fortuna para exposição em museu).
Um bilhete amarelado escrito “vale treis cascú di mirinda uva”

Nos finais de semana em que ele sai, só de calção, pra comprar um churrasco pronto para a família, não sem antes ter que ficar esperando ficar pronto, mais ou menos uma meia caixa de cerveja (é o tempo que demora um churrasco para ficar pronto), é engraçado observar onde ele vai colocar este hambúrguer, pois o calção não tem bolsos e ele já está com uma pilha de chaves na mão.

Sem falar no caso de que, se ele perder a carteira ou for assaltado, será necessário contratar uma firma de assessoria jurídica para fazer todos os contatos necessários para o bloqueio dos cartões e ocorrências policiais para os documentos, além de um médium, especialista em regressão, para auxiliar a memória no levantamento de todos os documentos que ele levava na carteira.

O necessário para se levar na carteira é a habilitação, que já vale como identidade, documento do carro, dobradinho para não ocupar espaço, um cartão de crédito, um cartão do banco e uma nota de cinqüenta reais, para eventualidades. Pronto. Tudo isso cabe perfeitamente na capinha de plástico, que vem junto com a carteira de motorista, e pode ser colocada até no bolso interno da sunga na beira da praia.

Será que a carteira dos homens, recheada com vinte centímetros de altura é para impressionar, parecendo que está muito bem de grana? Chegar numa loja para abrir um crediário e mostrar aquela infinidade de cartões e fotografias do cachorro, um patuá abençoado quando ele tinha três anos de idade, deve impressionar muito.

Se for, vale a pena todo esse esforço, mas eu já prefiro andar mais leve e fazer menos ligações quando perder os documentos ou for assaltado e mesmo porque, alguém conhece, por acaso, um bom médium especialista em regressão?
Sérgio Lisboa

2 comentários:

tchubmagnus disse...

Sérgio lí todas as suas crônicas. Gostei de mais delas, e olha que eu sou um leitor muito crítico. Acho que tem futuro como escritor, contanto que não volte ao assunto Carteira BigMac. Abraço amigo.

Áurea disse...

Não entendi, qual o problema com essa crônica???
Adorei a história da vidente e do cascú da mirinda uva rsrsrs