Sempre se disse que gosto não se discute. Eu acho que essa regra foi criada para proteger os que gostam de sorvete de amendoim, de usar camisa amarela, de andar de carro verde-limão (ou carro amarelo e camisa verde-limão), de comer strogonof, de assistir Domingão do Faustão, de beber vinho suave, de leite com nata, de arroz queimado ou até quem sabe de reeleger presidente. Mas e filmes, dá para discutir?
Eu estou falando isso porque ás vezes a gente fica até constrangido com algumas pessoas que ainda não conhece, quando o assunto é o filme preferido. Todo mundo fica de olho, como que esperando o depoimento de um nazista no tribunal de Nurenberg, aguardando a nossa opinião, cada um com um taco de beisebol na mão.O segredo é começar dizendo: “já vi muitos filmes bons e é difícil dizer agora”. Neste momento os inquisidores, geralmente, baixam os tacos, relaxam um pouco e começam a dar o seu veredito, digo a sua opinião.
Uma lista dos filmes mais chatos do século, em que a maior parte do tempo ficam dois atores, cada um em uma poltrona, divagando sobre um assunto que mistura o pós-moderno com retrovisor, classificados como filmes de arte (por favor Jabour, é só uma crônica, não leva a sério).
É claro que já tivemos excelentes filmes ao longo da história do cinema como, Cidadão Kane e Casablanca, só para ficar nos mais antigos, mas daí a rotular as pessoas pelo tipo de filme que ela assiste, é outra coisa. Se alguém ali confessasse ser fã de Steven Segal e Van Damme, meu deus do céu! Não tem como medir as conseqüências da tragédia.
Para mim, filme de arte é um documentário sobre a obra de Van Gogh.
Mas voltando à Inquisição, um deles se virou para mim, convencido de que eu já estava abduzido pelas idéias dominantes e pronto para reproduzí-las, indagou-me: já viste o filme “O Filho da Noiva (o belo filme argentino de Campanella)?” Foi quando, apesar de ter me preparado física e psicologicamente para enfrentar qualquer tortura, mesmo as mais inimagináveis, dos instrumentos de tortura mais bizzarros, dos ETs mais distantes da galáxia, vacilei por um instante e sem pensar respondi :Ainda não! Por acaso não é a continuação de “A noiva do Chucky?”
Sérgio Lisboa
domingo, 27 de janeiro de 2008
CARTEIRA QUE PARECE UM BIG MAC

Se existe uma coisa que a esmagadora maioria dos homens tem em comum é andar com a carteira mais cheia que um hambúrguer duplo. Carteira cheia, não necessariamente de dinheiro, aliás, quase nunca tem dinheiro, mas têm dezenove cartões de crédito, dezessete deles já vencidos, certidão de nascimento da mãe, uma foto do filho do primo do compadre do vizinho, além de cartões de visita tão desatualizados, que um deles é de uma firma de conserto de mimeógrafos.
Tem até um bilhetinho “comprar um atari para o Junior (o Junior tem 23 anos, a mulher está esperando um filho e o atari está valendo, hoje, uma fortuna para exposição em museu).
Um bilhete amarelado escrito “vale treis cascú di mirinda uva”
Nos finais de semana em que ele sai, só de calção, pra comprar um churrasco pronto para a família, não sem antes ter que ficar esperando ficar pronto, mais ou menos uma meia caixa de cerveja (é o tempo que demora um churrasco para ficar pronto), é engraçado observar onde ele vai colocar este hambúrguer, pois o calção não tem bolsos e ele já está com uma pilha de chaves na mão.
Sem falar no caso de que, se ele perder a carteira ou for assaltado, será necessário contratar uma firma de assessoria jurídica para fazer todos os contatos necessários para o bloqueio dos cartões e ocorrências policiais para os documentos, além de um médium, especialista em regressão, para auxiliar a memória no levantamento de todos os documentos que ele levava na carteira.
O necessário para se levar na carteira é a habilitação, que já vale como identidade, documento do carro, dobradinho para não ocupar espaço, um cartão de crédito, um cartão do banco e uma nota de cinqüenta reais, para eventualidades. Pronto. Tudo isso cabe perfeitamente na capinha de plástico, que vem junto com a carteira de motorista, e pode ser colocada até no bolso interno da sunga na beira da praia.
Será que a carteira dos homens, recheada com vinte centímetros de altura é para impressionar, parecendo que está muito bem de grana? Chegar numa loja para abrir um crediário e mostrar aquela infinidade de cartões e fotografias do cachorro, um patuá abençoado quando ele tinha três anos de idade, deve impressionar muito.
Se for, vale a pena todo esse esforço, mas eu já prefiro andar mais leve e fazer menos ligações quando perder os documentos ou for assaltado e mesmo porque, alguém conhece, por acaso, um bom médium especialista em regressão?
Sérgio Lisboa
Tem até um bilhetinho “comprar um atari para o Junior (o Junior tem 23 anos, a mulher está esperando um filho e o atari está valendo, hoje, uma fortuna para exposição em museu).
Um bilhete amarelado escrito “vale treis cascú di mirinda uva”
Nos finais de semana em que ele sai, só de calção, pra comprar um churrasco pronto para a família, não sem antes ter que ficar esperando ficar pronto, mais ou menos uma meia caixa de cerveja (é o tempo que demora um churrasco para ficar pronto), é engraçado observar onde ele vai colocar este hambúrguer, pois o calção não tem bolsos e ele já está com uma pilha de chaves na mão.
Sem falar no caso de que, se ele perder a carteira ou for assaltado, será necessário contratar uma firma de assessoria jurídica para fazer todos os contatos necessários para o bloqueio dos cartões e ocorrências policiais para os documentos, além de um médium, especialista em regressão, para auxiliar a memória no levantamento de todos os documentos que ele levava na carteira.
O necessário para se levar na carteira é a habilitação, que já vale como identidade, documento do carro, dobradinho para não ocupar espaço, um cartão de crédito, um cartão do banco e uma nota de cinqüenta reais, para eventualidades. Pronto. Tudo isso cabe perfeitamente na capinha de plástico, que vem junto com a carteira de motorista, e pode ser colocada até no bolso interno da sunga na beira da praia.
Será que a carteira dos homens, recheada com vinte centímetros de altura é para impressionar, parecendo que está muito bem de grana? Chegar numa loja para abrir um crediário e mostrar aquela infinidade de cartões e fotografias do cachorro, um patuá abençoado quando ele tinha três anos de idade, deve impressionar muito.
Se for, vale a pena todo esse esforço, mas eu já prefiro andar mais leve e fazer menos ligações quando perder os documentos ou for assaltado e mesmo porque, alguém conhece, por acaso, um bom médium especialista em regressão?
Sérgio Lisboa
sábado, 26 de janeiro de 2008
PRECONCEITO CONTRA OS CORRETOS

A gente cria as filhas com o melhor pediatra, aparelho nos dentes, disco da Xuxa, curso de inglês, natação, aulas de ballet, escola particular, o melhor xampu, para depois elas se apaixonarem por um cara de boné, sem um dente na frente, e que fala “nóis peguêmo!”
O nosso sonho era que o namorado da nossa filha fosse sócio majoritário da Microsoft, visse nela a reencarnação de Nossa Senhora e achasse o sexo discutível até mesmo para a procriação.
Entre o nosso sonho e a realidade gelada, a gente até já pede para deus, nosso senhor, que o cara trabalhe, nem que seja no Mac Donald’s, não bata nela seguidamente e que sua tara sexual seja um pouco controlada.
É preciso repudiar toda a forma de preconceito, até mesmo a política (pasmem), mas que há um preconceito muito forte, que ninguém nunca comenta, que cresce cada vez mais, que já se eterniza, que é o preconceito contra os corretos. Coitado dos corretos.
Eles disputam as vagas com caras que ficam o dia inteiro jogando futebol, bronzeados, sem a menor chance de rugas e cabelos brancos, uma vez que sua maior preocupação é saber quanto ganha por mês o lateral direito do Corinthians e além de tudo tem uma completa despreocupação com o romantismo, chamando todas as meninas de minha gostosa, enquanto os decentes se apresentam para a batalha com a pele mais branca do que a neve, com cabelos grisalhos, com gagueira, óculos mais grossos que garrafão de vinho e o máximo que conseguem ousar é a simples tentativa de pegar na mão da menina no terceiro mês de noivado.
Que disputa desigual, enquanto os de bonés chegam na casa do sogro, sem camisa e com bermuda cheia de bolsos, só para levar salgadinhos, pois nem documento carregam, conversando mais que camelô desempregado, os da pele de camarão sentam no sofá, com as duas mãos nos joelhos, parecendo o Clark Kent e ficam calados por exatos 703 minutos.
Eu tenho regras e princípios norteadores, embora eu more no sul e, se eu puder deixar uma lição para a posteridade, lhes deixo a seguinte:
-Minha filha : Não evite namorar caras de boné.
Sérgio Lisboa
O nosso sonho era que o namorado da nossa filha fosse sócio majoritário da Microsoft, visse nela a reencarnação de Nossa Senhora e achasse o sexo discutível até mesmo para a procriação.
Entre o nosso sonho e a realidade gelada, a gente até já pede para deus, nosso senhor, que o cara trabalhe, nem que seja no Mac Donald’s, não bata nela seguidamente e que sua tara sexual seja um pouco controlada.
É preciso repudiar toda a forma de preconceito, até mesmo a política (pasmem), mas que há um preconceito muito forte, que ninguém nunca comenta, que cresce cada vez mais, que já se eterniza, que é o preconceito contra os corretos. Coitado dos corretos.
Eles disputam as vagas com caras que ficam o dia inteiro jogando futebol, bronzeados, sem a menor chance de rugas e cabelos brancos, uma vez que sua maior preocupação é saber quanto ganha por mês o lateral direito do Corinthians e além de tudo tem uma completa despreocupação com o romantismo, chamando todas as meninas de minha gostosa, enquanto os decentes se apresentam para a batalha com a pele mais branca do que a neve, com cabelos grisalhos, com gagueira, óculos mais grossos que garrafão de vinho e o máximo que conseguem ousar é a simples tentativa de pegar na mão da menina no terceiro mês de noivado.
Que disputa desigual, enquanto os de bonés chegam na casa do sogro, sem camisa e com bermuda cheia de bolsos, só para levar salgadinhos, pois nem documento carregam, conversando mais que camelô desempregado, os da pele de camarão sentam no sofá, com as duas mãos nos joelhos, parecendo o Clark Kent e ficam calados por exatos 703 minutos.
Eu tenho regras e princípios norteadores, embora eu more no sul e, se eu puder deixar uma lição para a posteridade, lhes deixo a seguinte:
-Minha filha : Não evite namorar caras de boné.
Sérgio Lisboa
CRÔNICAS
Um dia eu tive um plano genial. Decidi ser escritor. Não um escritor de romances, um erudito, um poeta, nada disso. Um escritor de crônicas. È, um escritor de crônicas. Dessas que se publica em jornais e revistas, que falam do cotidiano e quase sempre são engraçadas. Eu sempre achei ótimo aqueles caras escreverem o que pensam, debochando de todo mundo, incutindo suas idéias, poupando analista, liberando a bílis, sendo reverenciado e ainda por cima ganhando uma boa grana por isso. Então eu resolvi : vou ser escritor de crônicas.
O primeiro passo foi ler algumas crônicas, de alguns escritores já “conceituados”, para ter alguma idéia da forma como os assuntos poderiam ser abordados e até mesmo para adquirir noções sobre a quantidade de frases e linhas que se utilizam normalmente. Descobri que uma crônica tem de 30 a 60 frases de cinco a dez palavras por frase cada e é claro, tem um início, um meio e um fim.
Até aí não tem nada de absurdo se você deixar de lado o fato de que o assunto, com esse número de frases, de palavras, com início, meio e fim, tem que ser, eu diria pelo menos, um tanto quanto genial.
Tà bom. Se fosse fácil até o Presidente faria. Eu falei no início que queria ser um escritor de crônicas, com todas as vantagens que a atividade proporciona, agora ser um bom escritor é outro assunto. Dá um tempo.
Superada essa fase de baixa auto-estima, veio outra preocupação: se eu escrever algumas crônicas, como eu vou publicar? Quantas crônicas eu devo fazer para iniciar essa nova carreira? Foi aí que surgiu uma nova idéia: fazer 365 crônicas. Por que 365 ? Porque eu estaria garantindo para quem quisesse me contratar, um ano de publicações já prontas, se fosse uma publicação diária, sete anos se fosse semanal e trinta anos se fosse mensal.
È claro que, nesta ultima hipótese, nós já teríamos o tele-transporte e comidas em cápsulas e minhas crônicas ainda se refeririam aos congestionamentos que as carroças proporcionam em frente ao mercado público. Mas isso é outra estória.
Pensando bem, vou considerar essa nossa conversa como minha primeira crônica e, jornais do mundo, me aguardem, pois agora só faltam 364.
Sérgio Lisboa
O primeiro passo foi ler algumas crônicas, de alguns escritores já “conceituados”, para ter alguma idéia da forma como os assuntos poderiam ser abordados e até mesmo para adquirir noções sobre a quantidade de frases e linhas que se utilizam normalmente. Descobri que uma crônica tem de 30 a 60 frases de cinco a dez palavras por frase cada e é claro, tem um início, um meio e um fim.
Até aí não tem nada de absurdo se você deixar de lado o fato de que o assunto, com esse número de frases, de palavras, com início, meio e fim, tem que ser, eu diria pelo menos, um tanto quanto genial.
Tà bom. Se fosse fácil até o Presidente faria. Eu falei no início que queria ser um escritor de crônicas, com todas as vantagens que a atividade proporciona, agora ser um bom escritor é outro assunto. Dá um tempo.
Superada essa fase de baixa auto-estima, veio outra preocupação: se eu escrever algumas crônicas, como eu vou publicar? Quantas crônicas eu devo fazer para iniciar essa nova carreira? Foi aí que surgiu uma nova idéia: fazer 365 crônicas. Por que 365 ? Porque eu estaria garantindo para quem quisesse me contratar, um ano de publicações já prontas, se fosse uma publicação diária, sete anos se fosse semanal e trinta anos se fosse mensal.
È claro que, nesta ultima hipótese, nós já teríamos o tele-transporte e comidas em cápsulas e minhas crônicas ainda se refeririam aos congestionamentos que as carroças proporcionam em frente ao mercado público. Mas isso é outra estória.
Pensando bem, vou considerar essa nossa conversa como minha primeira crônica e, jornais do mundo, me aguardem, pois agora só faltam 364.
Sérgio Lisboa
ARROZ, FEIJÃO E TV A CABO
Todo mundo sempre fala que devemos ter prioridades, no nosso trabalho, nos nossos estudos, na nossa vida pessoal – prioridade é a palavra de ordem.
Mas o que é realmente prioritário? O que é prioritário para mim pode não ser prioritário para o outro. O que foi prioritário para a Madre Teresa pode não ter sido prioritário para o político (é só um exemplo, sem nenhuma conotação).
Para mim o que é prioritário na minha vida pessoal, mas especificamente na minha vida doméstica é: arroz, feijão e TV a cabo. Isso mesmo: arroz, feijão e TV a cabo. O arroz e o feijão são bastante óbvios nos motivos de sua importância, uma vez que são alimentos básicos, baratos e completos. Já a TV a cabo se tornou uma prioridade vital para mim, pois não consigo mais me imaginar vivendo sem ela, com a programação disponível na TV aberta, principalmente nos finais de semana.
Essa mistura de prioridades de algo tão acessível como o arroz e o feijão (será que é tão acessível?) com algo mais elitista como a TV a cabo, é porque minha saúde mental é tão importante quanto minha alimentação e para conseguir pagar eu troco a TV a cabo pela carne, pelo cinema, pelo biscoito, pelo refrigerante, etc.
Depois que conheci a TV a cabo, me sinto como Keanu Reeves, em Matrix, cuja vida real está em outra dimensão e não o que a maioria assiste pensando que é a vida real (alguns até conseguem furar o bloqueio da Matrix, com ligações clandestinas, como que tentando uma revolução contra os Smiths).
Na segunda-feira, quando chegamos ao serviço, o assunto é sempre a reportagem do Fantástico, o último capítulo da novela e a desclassificação daquele casal na dança dos artistas. Eu me sentia como um ET, sem ter como comentar os assuntos abordados, pois não assisti nada daquilo.
Surgiu então, uma idéia infalível para não parecer um ET na segunda-feira, se alguém te fizer essa pergunta: - você viu o Fantástico ontem? Você olha com uma cara de superioridade e diz: - Que dúvida! Ainda mais ontem que o Fantástico estava muito mais fantástico.
Sérgio Lisboa
Mas o que é realmente prioritário? O que é prioritário para mim pode não ser prioritário para o outro. O que foi prioritário para a Madre Teresa pode não ter sido prioritário para o político (é só um exemplo, sem nenhuma conotação).
Para mim o que é prioritário na minha vida pessoal, mas especificamente na minha vida doméstica é: arroz, feijão e TV a cabo. Isso mesmo: arroz, feijão e TV a cabo. O arroz e o feijão são bastante óbvios nos motivos de sua importância, uma vez que são alimentos básicos, baratos e completos. Já a TV a cabo se tornou uma prioridade vital para mim, pois não consigo mais me imaginar vivendo sem ela, com a programação disponível na TV aberta, principalmente nos finais de semana.
Essa mistura de prioridades de algo tão acessível como o arroz e o feijão (será que é tão acessível?) com algo mais elitista como a TV a cabo, é porque minha saúde mental é tão importante quanto minha alimentação e para conseguir pagar eu troco a TV a cabo pela carne, pelo cinema, pelo biscoito, pelo refrigerante, etc.
Depois que conheci a TV a cabo, me sinto como Keanu Reeves, em Matrix, cuja vida real está em outra dimensão e não o que a maioria assiste pensando que é a vida real (alguns até conseguem furar o bloqueio da Matrix, com ligações clandestinas, como que tentando uma revolução contra os Smiths).
Na segunda-feira, quando chegamos ao serviço, o assunto é sempre a reportagem do Fantástico, o último capítulo da novela e a desclassificação daquele casal na dança dos artistas. Eu me sentia como um ET, sem ter como comentar os assuntos abordados, pois não assisti nada daquilo.
Surgiu então, uma idéia infalível para não parecer um ET na segunda-feira, se alguém te fizer essa pergunta: - você viu o Fantástico ontem? Você olha com uma cara de superioridade e diz: - Que dúvida! Ainda mais ontem que o Fantástico estava muito mais fantástico.
Sérgio Lisboa
A EXPLICAÇÃO PARA OS SONHOS

Uma noite antes de dormir minha mulher ficou brigando comigo por eu não ter pago o carnê com a prestação das Lojas Manlec, que eu havia esquecido. Era para ser só uma reclamação, mas eu tive a infeliz idéia de fazer um comentário cínico no meio da discussão. Prá quê? A mulher virou um bicho e a discussão virou uma briga séria, tão séria que, não tendo outra alternativa, tomei uma atitude drástica, atitude que todos os homens, se não tomam deveriam tomar, quando não há mais recurso numa discussão entre o casal: fui dormir.
Pelo menos nos meus sonhos eu posso tomar minhas próprias decisões e ninguém vai se meter com a minha vida, afinal se um homem não tem condições sequer de sonhar, então ele não é um homem é um animal (animal não sonha, não é?). Por favor se alguém já viu na internet que os animais também sonham, fiquem quietos senão eu não termino essa crônica.
Pois bem, o meu sonho naquela noite foi sublime. Eu estava num grande salão, com muito luxo, gente bonita, drinks e, junto ao piano estava cantando ninguém menos do que o Agnaldo Rayol (é aquele mesmo dos agudos fantásticos), numa performance belíssima, soltando a voz, ali do meu lado, sem palco, no mesmo nível do salão e só eu chegou perto dele para vê-lo terminar aquela canção de forma apoteótica. Quando ele terminou a canção, num de seus maiores agudos que já fora testemunhado, ele simplesmente se virou para mim, deu um sorriso e perguntou: tu já pagou a Manlec?
Sérgio Lisboa
Pelo menos nos meus sonhos eu posso tomar minhas próprias decisões e ninguém vai se meter com a minha vida, afinal se um homem não tem condições sequer de sonhar, então ele não é um homem é um animal (animal não sonha, não é?). Por favor se alguém já viu na internet que os animais também sonham, fiquem quietos senão eu não termino essa crônica.
Pois bem, o meu sonho naquela noite foi sublime. Eu estava num grande salão, com muito luxo, gente bonita, drinks e, junto ao piano estava cantando ninguém menos do que o Agnaldo Rayol (é aquele mesmo dos agudos fantásticos), numa performance belíssima, soltando a voz, ali do meu lado, sem palco, no mesmo nível do salão e só eu chegou perto dele para vê-lo terminar aquela canção de forma apoteótica. Quando ele terminou a canção, num de seus maiores agudos que já fora testemunhado, ele simplesmente se virou para mim, deu um sorriso e perguntou: tu já pagou a Manlec?
Sérgio Lisboa
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